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Faturação

Séries 2027 sem código AT? Pergunta ao teu ERP

"Já criámos as séries do ano que vem?" Em dezembro, esta pergunta anda de secretária em secretária. Alguém diz que sim, que o técnico tratou disso no ano passado e correu bem. Alguém diz que o programa faz sozinho. E ninguém tem a certeza de que todas as séries de 2027 (faturas, faturas-recibo, notas de crédito, guias de transporte, recibos, uma por cada terminal de loja) foram comunicadas à AT e têm código de validação.

A resposta normalmente aparece a 2 de janeiro, às nove e meia da manhã, quando o terminal 3 do balcão se recusa a emitir uma fatura-recibo e há uma fila de clientes à frente.

Este artigo trata de uma coisa pequena e concreta: como saber hoje, com uma pergunta em português ao teu ERP, que séries ainda não estão prontas. E porque é que esta é uma boa primeira tarefa para um ChatGPT privado para empresas.

Porque é que isto tem de estar feito antes de 1 de janeiro?

Desde que o ATCUD passou a ser obrigatório, cada série de documentos tem de ser comunicada à AT antes de ser usada. A AT devolve um código de validação, e esse código, junto com o número sequencial do documento, forma o ATCUD que vai impresso em cada fatura. Sem código, a série não serve para emitir. O Portal das Finanças é claro nisto: a comunicação é prévia, não é para fazer depois.

Muitas empresas abrem séries novas no início de cada ano. Não é obrigatório, mas é prática comum e muitos programas estão configurados assim por defeito. Quem trabalha assim tem, todos os dezembros, um pequeno projeto escondido: criar as séries, comunicá-las e confirmar que voltou um código para cada uma.

E o "confirmar" é a parte que falha. A comunicação pode ser automática por webservice, mas pode falhar por uma credencial de subutilizador expirada, por um terminal que estava desligado no dia em que se correu o processo, ou porque alguém criou uma série à mão para um armazém novo e esqueceu-se do resto. Há guias de contabilidade que apontam coimas entre 200 € e 3.750 € por documento emitido numa série não validada. Confirma o valor exato com o teu contabilista, mas a ordem de grandeza chega para perceber que não vale a pena arriscar.

Responsável administrativa de uma metalomecânica confere as séries de faturação no ERP, com a resposta do assistente privado no segundo monitor

Quanto tempo leva isto hoje?

Faz o exercício numa PME com duas lojas, um armazém e seis terminais de ponto de venda. Entre tipos de documento e terminais, chega facilmente às 30 ou 40 séries. Para validar à mão:

  1. Abres a configuração de séries no ERP, filtras por ano e exportas para Excel.
  2. Abres a lista de séries comunicadas no Portal das Finanças e exportas também.
  3. Cruzas as duas listas, linha a linha, à procura de séries sem código ou de séries de 2026 que não têm sucessora em 2027.
  4. Mandas um email ao técnico do ERP a perguntar porque é que a série do terminal 4 não aparece.

Uma manhã, no mínimo. E fica feito uma vez, quando alguém se lembra, em vez de ser verificado todas as semanas de dezembro.

O que é que perguntas ao ERP, exatamente?

A pergunta em português é simples: "Que séries de 2027 ainda não têm código de validação da AT?"

O que acontece por trás também é simples, e é por isso que funciona bem. O assistente não lê o ERP inteiro nem tenta adivinhar. Escolhe uma consulta aprovada, só de leitura, à tabela de séries do teu ERP, e devolve três listas:

  • séries com data de início em 2027 e código de validação vazio;
  • séries ativas em 2026 (por tipo de documento e por terminal) sem nenhuma série correspondente em 2027;
  • séries de 2027 com código, para teres a confirmação do que já está bem.

A segunda lista é a que apanha os problemas que ninguém vê. Uma série que não existe não aparece em nenhum filtro de "sem código". Só aparece quando comparas com o ano anterior: o terminal 5 emitiu faturas-recibo em 2026, onde está a série dele para 2027?

Funcionário de um armazém de materiais de construção emite uma fatura no terminal de ponto de venda do balcão, com um segundo terminal ao fundo

Como fica isto no WhatsApp?

Um exemplo, com números ilustrativos, de uma distribuidora com seis terminais:

Tu: Que séries de 2027 ainda não têm código de validação da AT?

Assistente: Encontrei 3 séries de 2027 sem código de validação: FR2027T3 (fatura-recibo, terminal 3, loja de Leiria), NC2027T3 (nota de crédito, terminal 3) e GT2027A2 (guia de transporte, armazém 2). Fonte: tabela de séries do ERP, lida às 09:14.

Tu: E há alguma série de 2026 que não tenha sucessora?

Assistente: Sim, uma. O terminal 6 (loja da Marinha Grande) emitiu 412 faturas-recibo em 2026 na série FR2026T6 e não tem série FR para 2027 criada no ERP.

Tu: Quantos documentos emitimos em dezembro do ano passado no terminal 3?

Assistente: 1.186 documentos em dezembro de 2025, dos quais 1.043 faturas-recibo. É o terminal com mais movimento das duas lojas.

A última resposta não tem nada a ver com a AT, mas diz-te a prioridade: o terminal mais movimentado é exatamente o que tem as séries em falta. Corrige esse primeiro.

Repara no que o assistente não faz: não cria a série, não a comunica à AT, não mexe na configuração. Diz-te o que falta, com a fonte, e tu (ou quem trata disso) resolves no ERP como sempre fizeste. O acesso é só de leitura, a pergunta e a resposta ficam registadas com quem perguntou e quando, e quem não tem perfil de faturação não vê esta informação.

Dono de uma metalomecânica consulta no telemóvel, por WhatsApp, a lista de séries de faturação em falta, com a fábrica desfocada ao fundo

Porque não usar o ChatGPT público para isto?

Porque o ChatGPT público não sabe que séries tens. Pode explicar-te o que é o ATCUD, mas para responder à tua pergunta precisava que lhe colasses a exportação do ERP, com NIF, terminais, volumes de faturação e lojas. Esses dados saem da empresa e, muitas vezes, da UE. Se a exportação estiver incompleta, o modelo responde na mesma, com confiança, e fica sem registo de quem perguntou o quê.

Um ChatGPT privado sobre o ERP inverte isto. Os dados ficam onde estão, o assistente vai buscar a resposta ao sistema e indica de onde ela veio. A arquitetura é agnóstica ao modelo: pode usar um modelo nacional pensado para o português europeu, como o AMALIA, ou outro modelo alojado na UE, conforme o caso. O que interessa para esta pergunta não é o modelo, é a consulta aprovada, o acesso só de leitura e o registo de auditoria. Com RGPD por desenho, não como extra colado no fim.

Quais são os limites honestos?

  • Não escreve no ERP. Se queres que as séries sejam criadas, isso continua a ser feito no ERP ou pelo técnico.
  • Não substitui o Portal das Finanças. O assistente lê o que o ERP guardou. Se o ERP registou um código de validação, ele mostra-o. Se queres cruzar com o que a AT tem, isso é uma verificação adicional que se combina caso a caso.
  • Depende da forma como o teu ERP guarda as séries. Em quase todos os ERPs usados em Portugal o código de validação fica num campo próprio, mas o nome da tabela e a forma de identificar o terminal mudam. A consulta é escrita e testada para o teu sistema, não é genérica.
  • Precisa de perfis definidos. Antes de ligar, decide-se quem pode perguntar sobre faturação, sobre stock ou sobre salários.

Por onde começas?

Esta pergunta é um bom piloto precisamente porque é pequena: um departamento (faturação), um conjunto curto de perguntas e um prazo real a 1 de janeiro. Junta-lhe as perguntas que a tua equipa já faz todas as semanas (o que está por receber de cada cliente, que referências estão abaixo do stock mínimo, quanto se faturou por loja) e tens 10 a 20 consultas aprovadas. Mede em horas: quanto tempo levava antes, quanto leva agora.

Se começares agora, ainda tens tempo para que, em dezembro, a pergunta "já criámos as séries?" tenha uma resposta exata em vez de um "acho que sim".

Somos uma equipa pequena em Leiria. Falas diretamente com quem escreve as consultas e liga o conector ao teu ERP, sem gestores de conta pelo meio.

Queres perguntar ao teu ERP em português, sem os dados saírem da UE? Fala connosco: hello@leiritech.com · +351 914 572 595, ou vê o nosso trabalho em leiritech.pt.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

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