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Literacia em IA para PME

Receção de mercadoria: a IA confere a guia com a encomenda

O camião está na doca, o motorista quer seguir e tu tens uma palete com 30 e tal linhas para conferir. Pegas na guia, contas caixas por alto, assinas. Três semanas depois chega a fatura e alguém na contabilidade pergunta: "Recebemos mesmo 12 caixas disto? No stock só aparecem 10."

A esta altura já ninguém se lembra. O fornecedor diz que entregou, o armazém acha que não e a fatura está paga ou quase. Este problema não tem nada de futurista. Acontece todas as semanas em quase todas as PME que compram material, e é um dos melhores sítios para começar com IA.

Operadora de armazém com colete verde a contar as caixas de uma palete acabada de descarregar, com a guia do fornecedor na mão e o camião na doca ao fundo

Porque a conferência falha (e a culpa não é de quem recebe)

A conferência manual falha por um motivo simples: faz-se no pior momento possível. Há pressa, há um motorista à espera e há outra entrega marcada para daqui a meia hora. Comparar a guia com a encomenda linha a linha pede atenção, e atenção é o que falta à porta do armazém.

Os erros mais comuns também são os mais difíceis de apanhar a olho:

  • Quantidade parcial. Encomendaste 12, vieram 10 e o resto "segue na próxima". Ninguém regista e a próxima nunca chega.
  • Artigo trocado. O fornecedor enviou uma referência "equivalente", com outro código e às vezes outro preço.
  • Artigo a mais. Veio uma coisa que não pediste. Se ninguém der por ela, entra no stock e paga-se.
  • Linha em falta. A guia tem 36 linhas e a encomenda tinha 38. Quem vai dar por isso com o camião a arrancar?

Nenhum destes erros é dramático sozinho. O custo está na soma: faturas pagas por mercadoria que não entrou, ruturas de stock que ninguém percebe e horas perdidas a reconstruir o que aconteceu semanas depois. E com o último trimestre à porta, a situação piora: as encomendas antes do Natal acumulam-se, os fornecedores entregam aos bocados e o armazém tem menos tempo do que nunca.

Porque é um bom primeiro passo com IA

Os números sobre projetos de IA falhados são conhecidos. Num inquérito da Gartner publicado em abril deste ano, 57% dos responsáveis que tiveram projetos falhados disseram que esperavam "demasiado, demasiado depressa". Os mesmos dados apontam o caminho oposto: integrar a IA nos processos e sistemas que já existem. A conferência de mercadoria encaixa aí por três razões.

O âmbito é pequeno. Tens um documento que chega, uma encomenda que já existe e uma pergunta: o que não bate? Não precisas de reorganizar a empresa nem de mexer em nenhum processo.

Os dados já lá estão. A encomenda ao fornecedor está no teu PHC, Sage, Primavera ou Artsoft. Ninguém tem de criar uma base de dados nova nem "limpar os dados" durante seis meses antes de começar. Metade do trabalho está feita desde o dia em que alguém lançou a encomenda.

O resultado vê-se na primeira semana. À primeira palete sabes se funcionou: ou a lista de diferenças estava certa, ou não estava.

Como funciona, na prática

O fluxo tem três passos, e em nenhum deles o ERP é alterado.

  1. Quem recebe fotografa a guia, ou usa o PDF quando o fornecedor a envia por email.
  2. A IA lê a guia: número do documento, referências, descrições e quantidades. Depois vai ao ERP buscar a encomenda correspondente.
  3. Recebes só as diferenças, e não a guia inteira reescrita. Por exemplo: "Faltam 2 un. da ref. 40-118. A ref. 22-305 veio no lugar da 22-300. Há 1 linha na guia que não está na encomenda."

Responsável de armazém à secretária de receção a comparar a guia em papel com as linhas da encomenda no ecrã do ERP, com algumas linhas destacadas

Quem recebe continua a decidir: se aceita, se regista a falta, se liga ao fornecedor. A IA só aponta onde deve olhar. Em vez de conferir 38 linhas, confere as 3 que não batem.

Um exemplo com números

Imagina uma distribuidora com três receções grandes por dia, cada uma com cerca de 35 linhas. Se a conferência a sério levar meio minuto por linha, são perto de 18 minutos por receção e quase uma hora por dia de alguém com experiência. Na prática, muitas vezes esse tempo nem é gasto: a conferência fica "por alto" e os erros passam.

Com a lista de diferenças, esse tempo passa a servir só para as linhas que merecem atenção. Estes números são um exemplo e não uma promessa, porque dependem das tuas guias e dos teus fornecedores. Por isso mesmo, antes de começar deves medir o teu caso.

Como medir se valeu a pena

Não precisas de um estudo de ROI. Chegam três números, recolhidos durante duas ou três semanas antes e depois:

  • Minutos por receção. Cronometra cinco receções normais antes de começar e cinco depois.
  • Diferenças apanhadas à porta. Quantas faltas ou trocas foram detetadas no próprio dia, em vez de semanas depois?
  • Discussões com fornecedores sobre a fatura. Se a falta ficou registada no dia, a conversa com o fornecedor dura um minuto em vez de uma troca de emails.

Se ao fim de um mês estes números não mexerem, paras. Perdeste pouco e ficas a saber alguma coisa sobre as tuas guias.

As objeções honestas

"As guias dos meus fornecedores são uma confusão." Algumas são. Guias escritas à mão, fotocópias tortas e papel amarrotado vão ter leituras erradas. Quando a leitura não é fiável, o sistema tem de dizer que não conseguiu ler a linha, em vez de adivinhar. Nesses casos continua a ser preciso um olho humano. Na maioria dos fornecedores com faturação certificada, a guia sai de um programa e é legível, e é por aí que se começa.

"O fornecedor usa outros códigos." É o problema real mais comum. A referência do fornecedor não é a tua. A ligação entre as duas existe muitas vezes no ERP, na ficha do artigo ou nos históricos de compra, e quando não existe, a primeira semana serve para a construir.

"A guia não traz preços." Muitas guias não trazem, e ainda bem que o dizes. O preço confere-se na fatura, e esse é um segundo passo natural, com a mesma lógica. Não tentes fazer tudo à primeira.

"E se a IA se enganar?" Um modelo genérico, como o ChatGPT, a quem mostras uma foto e perguntas se bate certo, não conhece a tua encomenda. Vai responder com confiança sobre dados que nunca viu. É isso a que se chama alucinar. A diferença aqui é que a comparação é feita contra a encomenda real, lida do teu ERP. Se a encomenda não existe ou a referência não é encontrada, a resposta tem de ser "não encontrei", e não um palpite.

Onde entra a Nemea

A Nemea é a nossa camada de perguntas sobre o ERP. Liga-se ao PHC, Sage, Primavera ou Artsoft só em modo de leitura, regista cada pergunta e cada resposta, e responde a partir dos teus dados. Como a camada semântica que "traduz" as tabelas do ERP já vem construída, ligá-la conta-se em horas e não em meses.

No caso da receção, a Nemea dá a parte que interessa: a encomenda certa, lida do ERP e sem inventar. Por cima dela montamos a leitura da guia, ajustada aos teus fornecedores. Quem está no armazém pode fazer tudo no telemóvel, pelo WhatsApp: envia a foto e recebe a lista de diferenças.

Operador de armazém visto por cima do ombro a ler no telemóvel uma conversa de WhatsApp com a foto da guia e uma resposta curta com as diferenças encontradas

A mesma ligação serve outras pessoas da empresa. O dono pergunta que encomendas ainda têm linhas por receber. As compras perguntam que fornecedor entregou incompleto mais vezes este trimestre. A contabilidade pergunta se aquela fatura corresponde ao que entrou.

Começa por uma palete

Não precisas de um projeto de IA. Escolhe os dois ou três fornecedores que mais te dão dores de cabeça, junta dez guias recentes e as encomendas correspondentes, e testa. Numa semana sabes se funciona com os teus papéis.

Se quiseres ver isto com os teus dados, pede uma demonstração em nemea.pt. Começamos pequeno, pelo teu caso, sem mexer em nada do que já funciona.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

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