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Zona Franca da Madeira: a prova de postos de 31 de janeiro

Em janeiro, quem tem uma licença na Zona Franca da Madeira acaba sempre a ouvir a mesma pergunta: "quantos postos de trabalho tivemos este ano, afinal?" Parece fácil de responder e raramente é. Há quem tenha saído em abril e só tenha sido substituído em junho, há uma pessoa a meio tempo, há um administrador sem contrato de trabalho, e alguém a trabalhar remotamente a partir de Lisboa. Os dados estão todos na folha salarial. O problema é que ninguém os juntou de forma que resistam a uma pergunta.

Este artigo trata exatamente disso: como tirar a prova anual de postos de trabalho do CINM diretamente do processamento salarial, mês a mês e trabalhador a trabalhador, em vez de a reconstruir à pressa na última semana de janeiro.

O calendário que tens pela frente

Os números são simples. As entidades licenciadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira têm de comprovar a criação e a manutenção dos postos de trabalho junto da tutela e da AT-RAM até 31 de janeiro do ano seguinte. Hoje é 30 de setembro, portanto faltam 123 dias. Além disso, o regime foi prorrogado: quem ainda pedir licença até 31 de dezembro de 2026 (daqui a 92 dias) fica abrangido pela taxa de IRC de 5%, que se mantém até 2033.

Isto quer dizer que o benefício é mais longo do que muita gente contava, e quanto mais tempo dura, mais vezes vais ter de repetir a mesma prova. Fazê-la à mão uma vez é chato. Fazê-la à mão todos os anos até 2033 é uma forma de garantir que um dia sai com um erro.

Administradora de pessoal num escritório do Funchal a rever, por cima do ombro, uma tabela de trabalhadores com colunas mensais no monitor

Porque é que "contar pessoas" não chega

O regime da Zona Franca já passou por uma fase difícil. Em 2020, a Comissão Europeia concluiu que parte dos benefícios do regime anterior tinha sido aplicada de forma incompatível com as regras dos auxílios de Estado. Uma das razões apontadas foi precisamente a forma como se contavam os postos de trabalho: postos que não estavam na Madeira, postos a tempo parcial contados como completos, membros de órgãos sociais contados como trabalhadores. Desde então, contar pessoas não chega. A pergunta passou a ser que postos, onde, com que carga horária e durante quantos meses.

Não te vou dar aqui a regra exata aplicável à tua licença. Isso depende do regime ao abrigo do qual foste licenciado e fica entre ti e o teu contabilista certificado. O que te posso garantir é o seguinte: seja qual for a regra, vai ser aplicada sobre dados que já existem no teu processamento salarial. As datas de admissão e cessação, o tipo de contrato, o horário, a morada fiscal e os meses com remuneração estão todos lá. O que falta é pôr esses dados lado a lado, com a regra aplicada de forma explícita e verificável.

Um exemplo trabalhado

Imagina uma empresa de serviços no Funchal, licenciada no CINM, com este ano:

  • 5 pessoas a tempo inteiro, residentes na Madeira, o ano inteiro;
  • 1 técnica que saiu a 15 de abril e foi substituída a 1 de junho;
  • 1 pessoa a meio tempo (20 horas semanais) desde março;
  • 1 administrador remunerado como membro do órgão de gestão, sem contrato de trabalho;
  • 1 programador a tempo inteiro com morada em Lisboa.

Se perguntares "quantas pessoas temos?", a resposta é 9 (ou 10, se contares as duas técnicas). Mas a resposta que interessa é bem diferente. Ao fazer as contas mês a mês, em equivalente a tempo inteiro, os 5 residentes dão 5,0. O posto da técnica fica vazio mês e meio, o que dá cerca de 0,88. A pessoa a meio tempo, a trabalhar dez meses a 50%, dá cerca de 0,42. O administrador e o programador de Lisboa aparecem numa coluna à parte, marcados "a validar", porque é aí que a regra da tua licença decide se entram ou não nas contas.

Ficas com cerca de 6,3 postos que aguentam uma pergunta e dois casos que exigem uma decisão explícita. Nenhum destes números é inventado: cada célula liga-se a um recibo de vencimento, a uma data no contrato e a um registo de horário. Se a AT-RAM perguntar "de onde vem o 0,88?", a resposta é um clique, não uma tarde perdida nos arquivos.

Contabilista e gestora sentados lado a lado a rever num portátil uma grelha mensal de postos de trabalho, com contratos em papel na mesa

Como funciona, concretamente

O que montamos não é um chatbot que "percebe de Zona Franca". É uma camada sobre o sistema que já usas (seja o PHC, seja outro programa de salários ou ERP) com três propriedades que não negociamos:

  1. Só leitura. Ligamo-nos ao processamento salarial e ao registo de pessoal sem escrever uma única linha. Não tocamos nos teus recibos, nas tuas declarações nem na tua contabilidade.
  2. Fundada nos teus dados. Cada número do dossier aponta para o registo de onde saiu. A regra de contagem fica escrita, versionada e visível. Não fica escondida num prompt.
  3. Auditada. Cada consulta fica registada: quem perguntou, quando, o que o sistema leu e o que respondeu. Se o dossier de janeiro de 2027 for questionado em 2029, consegues reproduzi-lo tal como estava.

A parte de IA serve para fazer perguntas em linguagem natural a esses dados, na consola ou no WhatsApp. "Quantos postos em equivalente a tempo inteiro tivemos em junho?" "Quem entrou depois de março?" "Que trabalhadores estão marcados ‘a validar’ e porquê?" O modelo não calcula nada de cabeça. Traduz a pergunta numa consulta sobre dados reais e devolve a resposta com a origem. Se não houver dados, diz que não há. Um assistente genérico faria o contrário: dava-te um número plausível, e um número plausível numa prova fiscal é pior do que não ter número nenhum.

Gestor de empresa a ler no telemóvel, por cima do ombro, a resposta do assistente com uma pequena tabela, com a equipa a trabalhar ao fundo e a baía do Funchal pela janela

"O meu contabilista já trata disso"

É a objeção mais comum, e tem razão de ser: é ao contabilista que cabe fechar a prova. Mas repara no que ele recebe hoje. Normalmente é um Excel montado por alguém da empresa, em janeiro, a partir de exportações soltas. Aí ele tem duas hipóteses: confia nesse ficheiro ou refaz tudo. Nenhuma das duas é boa.

Com um dossier tirado da folha, o contabilista deixa de perder tempo a reconstruir dados e passa a decidir sobre eles. Os casos "a validar" chegam-lhe identificados e com o histórico completo. Ele decide, a decisão fica registada e, no ano seguinte, a mesma regra aplica-se sozinha. Ele continua a assinar a prova. Só deixa de ter de a montar.

Há uma segunda objeção: "somos cinco pessoas, não precisamos de sistema nenhum". Talvez não precises. Se a tua equipa não mudou durante o ano, uma folha de cálculo resolve. O dossier começa a compensar quando há entradas, saídas, meios tempos ou pessoas fora da ilha, que é exatamente onde a contagem pode falhar.

E o financiamento?

Não te vamos prometer nenhum apoio. A linha de IA para PME do continente não abrange a Madeira. A Região anunciou a ARIA-Empresas, mas o montante destinado à Madeira ainda não está definido. Um dossier destes não depende de nenhum aviso: é um projeto pequeno, com âmbito fechado, feito por uma equipa que escreve o código e fala contigo diretamente, sem intermediários.

O próximo passo

Faltam 123 dias para 31 de janeiro. A proposta é esta: numa conversa de meia hora, olhamos para o sistema de salários que usas e para a regra que o teu contabilista aplica. A partir daí, dizemos-te se dá para ligar em modo só leitura e quanto custa pôr o dossier de 2026 a sair da folha. Se a resposta for "uma folha de cálculo chega", também to dizemos.

Escreve para hello@leiritech.com ou liga para o +351 914 572 595.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

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