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Literacia em IA para PME

Taxa de erro humano: mede-a antes de exigir 100% à IA

"Se a IA se engana uma vez, já não posso confiar nela."

Ouvimos esta frase em quase todas as primeiras reuniões. É uma frase sensata, porque ninguém quer pôr na empresa uma coisa que inventa números. Mas costuma vir acompanhada de uma pergunta que ninguém faz: quantas vezes se engana hoje a tua equipa, a fazer exatamente a mesma tarefa?

Quase nenhum dono de PME sabe responder. Não é desleixo. É que ninguém mede aquilo que sempre foi feito à mão. O erro humano não aparece num relatório. Aparece como nota de crédito, como telefonema de um cliente irritado ou como uma tarde perdida a "acertar o stock". E fica diluído no dia a dia.

O resultado é uma comparação injusta: de um lado uma máquina que tem de ser perfeita, do outro um processo que ninguém sabe quanto falha. Com esta régua nenhuma ferramenta passa no teste. E a decisão fica parada, às vezes durante anos. Um responsável da Salesforce contou ao ECO que há empresas que levam três anos a decidir "projetos pequenos e simples".

O problema não é exigir muito. É não saber o ponto de partida

Exigir rigor está certo. O erro está em exigir rigor sem base de comparação.

Pensa num caso típico: uma pessoa do administrativo pica à mão, todos os meses, umas centenas de faturas de fornecedores no PHC, no Sage, no Primavera ou no Artsoft. Valores, datas, NIF, condições de pagamento. É um trabalho repetitivo, feito com interrupções, muitas vezes ao fim do dia.

Funcionária administrativa a introduzir faturas de fornecedores em papel no ERP, vista por cima do ombro

O título deste artigo fala em 3 erros por cada 100 documentos. Atenção: é um número ilustrativo, não um estudo. Na tua empresa podem ser 1 ou podem ser 6. O que interessa é que não é zero, e que não sabes qual é. Enquanto não souberes, qualquer conversa sobre "a IA é fiável?" é feita às cegas.

Há outro dado que ajuda a perceber porque isto importa. A Gartner atribui 57% das falhas de projetos de IA a "esperar demasiado, demasiado depressa". Uma boa parte desse "demasiado" é exigir à máquina um nível de perfeição que o processo atual nunca teve.

Como medir a tua taxa de erro em cinco dias

Não precisas de consultores nem de software. Precisas de uma folha, de uma tarefa e de alguém honesto.

  1. Escolhe uma única tarefa repetitiva. Por exemplo: lançar faturas de fornecedores, criar encomendas a partir de emails ou confirmar preços em propostas.
  2. Tira uma amostra de documentos já lançados. Cem chega: os do último mês, escolhidos ao acaso.
  3. Revê campo a campo contra o original. Quem faz a revisão não pode ser quem fez o lançamento.
  4. Classifica cada erro. Ficou só feio (uma descrição mal escrita)? Custa dinheiro (valor, IVA, prazo de pagamento)? Ou chega ao cliente (preço errado numa fatura)?
  5. Conta e escreve o número. Erros por cada 100 documentos e, ao lado, quantos são graves.

Dono de PME a comparar uma lista impressa com o portátil, a assinalar erros linha a linha

É aborrecido? É. Mas é a régua que te vai servir para avaliar qualquer fornecedor de IA, incluindo nós.

Um exemplo com contas

Vamos usar números redondos e assumidos, para veres o raciocínio. Troca-os pelos teus.

  • 400 faturas de fornecedores por mês.
  • Taxa de erro medida: 3%, ou seja, 12 erros por mês.
  • Um terço desses erros custa dinheiro ou tempo a sério: 4 por mês.
  • Cada erro grave leva, em média, uma hora a descobrir e a corrigir, contando o telefonema, a nota de crédito e a reconciliação.

São cerca de 50 horas por ano só a apagar fogos, sem contar o dinheiro que sai mal pago ou que nunca chega a ser cobrado. Este é o custo do processo atual, aquele que ninguém põe na mesa.

Agora a pergunta correta deixa de ser "a IA erra?". Passa a ser: "Com IA, quantos erros graves sobram, e quanto tempo levo a encontrá-los?" Se baixares de 4 erros graves para 1, e esse 1 aparecer marcado em vez de escondido, ganhaste. Mesmo sem chegares aos 100%.

"Mas a IA erra de forma diferente"

É a objeção mais séria, e tem razão de ser.

Quando uma pessoa se engana, normalmente o erro tem cara de erro: um dígito trocado, uma vírgula fora do sítio. Uma IA genérica, como um chat qualquer na internet, engana-se de outra maneira. Dá uma resposta bem escrita, confiante e falsa. Isto chama-se alucinação. Acontece porque o modelo está a completar texto plausível, não a consultar os teus dados. Não sabe quanto te deve o fornecedor X, por isso adivinha.

Por isso não basta comparar taxas. Também tens de comparar o tipo de erro e a facilidade de o apanhar. É aqui que a arquitetura faz a diferença:

  • Ligada aos teus dados. A resposta vem do teu ERP, não da memória do modelo. Se o dado não existe, a resposta certa é "não encontro", e não um palpite.
  • Só de leitura. Num primeiro passo, a IA não lança nem altera nada. Lê, cruza e mostra. O pior que pode acontecer é uma resposta errada, que podes verificar. Nunca um documento errado no sistema.
  • Auditada. Cada pergunta e cada resposta ficam registadas, com a origem dos números. Se alguém duvidar, vê-se de onde veio.

Com estas três regras, o erro da IA volta a ter cara de erro: aponta para um documento que podes abrir e confirmar.

Por onde começar, na prática

O primeiro passo mais seguro não é pôr a IA a picar documentos. É pô-la a verificar o que já foi picado e a responder a perguntas sobre isso. Pela ordem:

  1. Mede a taxa de erro de uma tarefa (os cinco dias acima).
  2. Liga uma IA só de leitura a esses dados e faz-lhe as perguntas que hoje fazes à mão. "Que faturas de fornecedor deste mês têm um prazo de pagamento diferente da ficha do fornecedor?" "Que linhas foram lançadas com IVA diferente do habitual para este artigo?"
  3. Compara durante duas ou três semanas: o que a IA apanhou, o que falhou e o que inventou. Com a tua régua, não com a do vendedor.

Responsável de armazém a consultar no telemóvel uma resposta com números, vista por cima do ombro

Na Leiritech fazemos isto por WhatsApp. Perguntas ao teu negócio em português e recebes respostas tiradas do PHC, Sage, Primavera ou Artsoft. Só de leitura, auditado, sem inventar. Como a camada que traduz as tabelas do ERP em conceitos de negócio já está construída, arranca em horas e não em meses. O dono pergunta pelas margens, o comercial pelo histórico de um cliente antes da visita, o armazém pelo stock real de um artigo, o técnico pelo que foi faturado numa intervenção.

Em resumo

Não precisas de acreditar na IA. Precisas de um número: o teu ponto de partida. Com ele, qualquer proposta, nossa ou de outros, deixa de ser uma questão de fé e passa a ser uma conta.

Mede uma tarefa esta semana. Se quiseres ver o que uma IA só de leitura apanha nesses mesmos documentos, fala connosco em leiritech.pt.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

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