“Esta referência aguenta 100 graus ou não? A tabela diz uma coisa, mas há uma nota em baixo.”
Tens uma encomenda para preparar, o artigo está no ERP e a ficha técnica está num PDF. Abres o anexo, procuras a referência, exportas uma tabela para Excel e perguntas à qualidade se aquele limite se aplica ao trabalho. O tempo perde-se a ligar informações que já existem, mas estão separadas.
Um ChatGPT privado para empresas pode encurtar essa procura. Porém, se recuperar o número e deixar para trás o cabeçalho ou a nota, entrega uma resposta aparentemente fundamentada que pode estar errada. Mostrar a página de origem não chega: é preciso preservar o significado.

Porque não basta colocar o PDF num chat?
Quando carregas uma ficha num serviço público, entregas informação a um terceiro. A localização do processamento, a conservação e os acessos dependem do serviço e do contrato; não de estar escrito “privado” na interface. Também não podes presumir residência na UE, auditoria por utilizador ou português europeu consistente.
Mesmo com alojamento adequado, sobra outro problema: o modelo pode preencher uma condição em falta com uma explicação plausível. Não precisa de inventar o número. Basta confundir a coluna de utilização contínua com a de utilização intermitente.
É por isso que a discussão não começa em “qual é o melhor modelo?”. Começa em “que informação recebeu para responder?”.
O que muda quando um valor perde o cabeçalho?
Considera esta ficha inteiramente fictícia, usada apenas para demonstração. Os valores não são especificações de um produto real.
Documento FT-P42, revisão 3, página 2, tabela 1 — Limites de utilização em ambiente seco
| Referência | Temperatura máxima contínua (°C) | Temperatura máxima intermitente (°C) |
| — | —: | —: |
| P-42 | 80 | 100¹ |
Nota 1: o limite intermitente aplica-se apenas a exposições até 10 minutos. Para outras condições, consultar o responsável técnico.
Se a preparação documental guardar apenas “P-42 — 80 — 100”, perdeu quase tudo o que permite interpretar os valores. O 100 não é um limite universal: tem unidade, regime de utilização, condição ambiental e duração máxima.
À pergunta “posso usar a P-42 a 95 °C durante 40 minutos?”, responder “sim, suporta até 100 °C” ignora precisamente a restrição decisiva. Uma resposta fundamentada deve explicar que a ficha não suporta essa conclusão: 95 °C excede o limite contínuo e 40 minutos ultrapassam a duração indicada para o regime intermitente. A decisão técnica continua humana.
Citar “página 2” não corrige a interpretação. A fonte pode estar certa e a conclusão errada.
Como se preserva a tabela na recuperação documental?
RAG é a recuperação de informação das tuas fontes antes de o modelo escrever. Para tornar um arquivo pesquisável, os documentos são normalmente divididos em blocos. O risco está em cortar onde acaba um determinado número de caracteres, em vez de respeitar a estrutura.
A documentação Microsoft sobre Document Intelligence e RAG, atualizada em outubro de 2026, distingue cortes fixos de divisão por significado e descreve blocos próprios para tabelas. Não garante que qualquer nota fique automaticamente associada à célula certa. Essa ligação tem de ser implementada e testada.
No exemplo, cada linha recuperada deve chegar acompanhada dos cabeçalhos das colunas, unidade, título da tabela e nota aplicável. Se houver cabeçalhos agrupados em vários níveis, é preciso preservar esse percurso. Se a nota estiver noutra página, a ligação não pode depender apenas de proximidade visual.
Não é necessário duplicar o PDF inteiro em cada bloco. Podes guardar a linha pesquisável com uma referência à tabela completa e às notas, recuperando esse conjunto antes de responder. O importante é que o modelo receba o contexto necessário, sem exceder os limites de processamento.
A extração também precisa de verificação: um expoente reconhecido incorretamente ou uma coluna deslocada pode destruir a associação. Se não for possível resolver a ambiguidade, o sistema deve assinalá-la e pedir validação, não completar por aproximação.

Como se liga isto ao ERP que já tens?
O ERP responde sobre existências, reservas e movimentos. A documentação responde sobre condições de utilização. Uma camada de IA sobre o ERP deve distinguir estas fontes, ligando a referência do artigo à ficha aprovada, sem confundir um registo comercial com uma autorização técnica.
A arquitetura proposta usa um conector só de leitura ao ERP existente, por exemplo PHC, sujeito à avaliação das interfaces disponíveis. As consultas e os cálculos ficam controlados fora do modelo. A recuperação documental fornece o contexto técnico; o modelo formula a resposta em pt-PT com as fontes identificadas. Não exige substituir o ERP.
A arquitetura é agnóstica ao modelo: pode usar um modelo nacional, como o Amália, ou outro alojado na UE, conforme a avaliação da tarefa. Não estamos a afirmar uma implementação Leiritech sobre Amália já disponível.
O acesso por perfil, ou RBAC, tem de abranger também documentos e excertos recuperados. O registo de auditoria deve permitir identificar quem perguntou, que fontes e versões sustentaram a resposta e o que foi respondido, com acesso e conservação definidos. RGPD por desenho não significa guardar tudo para sempre. Alojamento europeu também não substitui finalidade e fundamento jurídico.
Como seria perguntar ao ERP no WhatsApp?
Diálogo ilustrativo; todos os números e documentos são fictícios.
Tu: “Quantas P-42 temos disponíveis no armazém 2?”
Assistente: “85 unidades disponíveis: 120 em existência menos 35 reservadas. Fonte: consulta de existências e reservas do ERP, armazém 2, às 10h14.”
Tu: “Qual é a temperatura máxima dessa referência?”
Assistente: “Em ambiente seco: 80 °C em utilização contínua; 100 °C em utilização intermitente, apenas até 10 minutos. Fonte: FT-P42, revisão 3, página 2, tabela 1 e nota 1.”
Tu: “Então posso usar a 95 °C durante 40 minutos?”
Assistente: “A ficha não permite confirmar essa utilização: ultrapassa o limite contínuo e a duração prevista para o intermitente. É necessária validação técnica. Não alterei nenhum registo no ERP.”
O canal exige uma ressalva: alojar o ERP, a pesquisa e a inferência na UE não prova que todo o percurso pelo WhatsApp fica na UE. Sem essa verificação, usa a consola privada para informação restrita e limita o conteúdo enviado pelo canal.

Não seria mais simples enviar o documento inteiro?
Pode ser, para documentos curtos. Mas enviar tudo não demonstra que o modelo associa a nota certa à coluna certa. Num arquivo maior, acrescenta conteúdo irrelevante, custo e possíveis conflitos entre documentos. A obrigação de testar mantém-se.
A oferta de um chat nacional também não comprova esta engenharia. A reportagem do The Next Big Idea sobre a Caravela, de setembro de 2026, descreve modelos e fontes portuguesas, mas não demonstra este teste nem apresenta um preço de implementação ERP. Isso não prova ausência dessas capacidades. Mostra o que tens de pedir para comparar propostas: conector concreto, tratamento das tabelas, critérios de aceitação e orçamento discriminado.
Como provas que o piloto preserva o significado?
Começa pela qualidade ou pelas operações, com 10 a 20 perguntas frequentes e fichas aprovadas. Antes das revisões de fim de ano, é uma forma concreta de encontrar condições que ficam escondidas nas tabelas. Define quem pode consultar cada fonte e resolve associações ambíguas entre artigos e documentos.
Testa perguntas que obriguem a distinguir colunas, unidades e notas. Retira a nota numa cópia de teste: o assistente deve reconhecer a falta de informação. Uma resposta só passa se conservar as condições relevantes; acertar no número não basta.
Mede o tempo total até à resposta verificada, incluindo correções e escalamentos. Converte a diferença observada em horas poupadas, sem prometer ganhos antecipados. O assistente não escreve no ERP, não aprova utilizações e não decide por ti.
Na Leiritech, em Leiria, falas diretamente com quem escreve o código. O objetivo é este: menos procura manual, sem perder a condição que muda a resposta.
Queres perguntar ao teu ERP em português, sem os dados saírem da UE? Fala connosco: hello@leiritech.com · +351 914 572 595, ou vê o nosso trabalho em leiritech.pt.
