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Integração

Guia de transporte com código AT pedida no WhatsApp

São 6h40. O camião está encostado ao cais, as paletes estão filmadas e o motorista quer sair às 7h para apanhar o cliente de Braga antes do almoço. Falta a guia. Quem a emite no ERP é a Sandra, da administrativa, que entra às 9h. O motorista manda mensagem para o número de WhatsApp da empresa e o bot responde, simpático e inútil: "Para questões de logística, por favor contacte o departamento responsável."

Ficam três hipóteses em cima da mesa: esperar duas horas, ligar à Sandra para casa ou arrancar sem guia e "resolver depois". Esta última é a que dá problemas, e é a que acontece mais vezes do que se admite.

Porque é que "resolver depois" não resolve

O regime dos bens em circulação é simples de enunciar: o documento de transporte tem de ser comunicado à AT antes de o transporte começar. Quando é comunicado a tempo, por webservice a partir do software certificado, a AT devolve um código de identificação, e é com esse código que o motorista circula.

O pormenor que muita gente só descobre numa operação STOP: se comunicares a guia depois de a mercadoria ter saído, a AT aceita a comunicação, mas não atribui código. O documento existe, mas não prova o que devia provar, porque foi comunicado fora de tempo. Não há conversa bonita que corrija isto a posteriori.

E o problema tem calendário. A Black Week arranca a 23 de novembro, daqui a 54 dias, e a partir daí as expedições não abrandam até ao Natal. Mais cargas, mais cedo, mais saídas fora do horário de quem tem o ERP aberto. O que agora é uma chatice ocasional às 6h40 passa a ser rotina diária.

Motorista no cais de carga ao amanhecer, visto por cima do ombro, com o WhatsApp aberto no telemóvel e um anexo em PDF enquanto as paletes entram no camião

O que o bot de €25 consegue fazer (e não é isto)

Há chatbots para WhatsApp a €25 por mês, prontos em "alguns dias", que respondem a partir do site, do catálogo e das FAQ. Para dizer o horário do armazém ou captar um contacto chegam perfeitamente. Mas nenhum deles fala com o teu ERP, e sem ERP não há guia. A resposta "contacte a logística" não é um defeito de configuração: é tudo o que um sistema desses pode dizer, porque não tem acesso a nada que exista na tua operação.

Há um segundo limite, e esse é legal. Em Portugal, a Portaria 363/2010 obriga a usar exclusivamente software de faturação certificado. Os documentos são assinados com a chave privada do programa, e o programa não pode ter nenhuma função que altere informação fiscal sem deixar rasto. Um modelo de linguagem não é software certificado. Não pode emitir uma guia, nem que queira. O máximo que pode fazer, e é exatamente o que deve fazer, é pedir a guia ao teu ERP certificado, pela API, e devolver o resultado.

Ou seja, a guia às 6h40 não é um problema de conversa. É um problema de integração.

O mesmo pedido, feito por um agente ligado ao ERP

Pega na mesma manhã. O motorista escreve: "Guia para a encomenda 1432, matrícula AA-00-BB." Eis o que acontece, passo a passo:

  1. Identificação. O número de telefone está associado a um utilizador com permissão para pedir guias de transporte, e só para isso. Um número desconhecido não passa daqui.
  2. Leitura (read-only). O agente lê a encomenda 1432 no ERP: cliente, NIF, morada de carga e de descarga, artigos, quantidades. Confirma que a encomenda está preparada e que o stock está reservado.
  3. Pré-visualização. Antes de escrever o que quer que seja, devolve o resumo: "Guia para Cliente X, Braga, 12 paletes, 3 artigos, matrícula AA-00-BB, início às 7h00. Confirmas?" O motorista confere e responde sim.
  4. Pedido ao ERP. O agente chama a API do ERP (no PHC GO, por exemplo, através da Full API, com o respetivo acordo de developer) para criar a guia a partir da encomenda. Quem numera, assina e comunica à AT é o ERP certificado, não o agente.
  5. Resposta. O ERP devolve o número do documento e o código AT. O agente envia-os ao motorista, com o PDF da guia em anexo.
  6. Registo. Fica gravado quem pediu, de que número, a que horas, com que parâmetros, que documento foi criado e que código a AT atribuiu.

Tudo isto demora menos do que o motorista a apertar o cinto. E a Sandra, quando chega às 9h, encontra a guia no ERP como se a tivesse feito ela, com um registo que diz exatamente de onde veio.

Coordenadora de logística no escritório do armazém, vista por cima do ombro, a rever no ERP os documentos emitidos de manhã, com o camião no cais ao fundo

Os detalhes que separam um piloto de um sistema em produção

Uma demo faz os seis passos acima num dia bom. A produção vive nos dias maus.

O motorista envia a mensagem duas vezes. Rede fraca no cais, a mensagem parece não ter ido, ele repete. Um sistema ingénuo cria duas guias. O correto é o pedido levar uma chave de idempotência (encomenda, matrícula e data): o segundo pedido devolve a guia que já existe, não cria outra.

O webservice da AT não responde. Acontece. Aqui é onde um chatbot que "adivinha" se torna perigoso: um modelo sem acesso aos dados pode perfeitamente produzir uma sequência de caracteres com cara de código AT. Um sistema grounded só devolve o que o ERP devolveu. Se não há código, diz "sem código AT, não arranques" e aciona o procedimento de contingência que a tua empresa definiu, avisando quem tem de saber.

A encomenda não está pronta. Se falta a morada de descarga ou uma linha não tem stock reservado, o agente não inventa nem completa. Para, diz o que falta e a quem pedir.

Alguém se enganou na matrícula. A guia é um documento do ERP como qualquer outro: a correção faz-se lá, pelo procedimento normal, e o registo mostra a guia original, quem a pediu e o que mudou.

Nenhum destes casos tem que ver com "IA". Têm que ver com engenharia de integração, e é por isso que um agente destes custa entre €250 e €1.200 por mês e um bot de FAQ custa €25. Não estás a pagar mais pela conversa. Estás a pagar pelo que acontece depois de a conversa acabar.

Não é só no armazém

A mesma lógica aparece onde menos se espera.

Laboratórios de calibração. Quando um laboratório devolve ao cliente um lote de instrumentos calibrados (paquímetros, manómetros, blocos-padrão), essa mercadoria circula e precisa de documento de transporte. O técnico que embala ao fim do dia raramente é quem emite documentos. Num ERP como o PrüfMittel, o pedido pode partir da própria ordem de calibração: os instrumentos, o cliente e os certificados já lá estão.

Técnico de metrologia a embalar uma mala de instrumentos calibrados numa caixa de expedição, com o tablet do ERP na bancada ao lado

Saúde e lares. O fornecedor que abastece lares de consumíveis e material clínico sai cedo e faz várias paragens. Cada paragem é uma descarga que tem de estar na guia. Se a rota muda, a alteração tem de ser feita antes de o transporte começar, e é aí que o pedido pelo WhatsApp ganha tempo.

Técnicos no terreno. A carrinha do técnico que leva equipamento para instalar também transporta bens. A guia pedida no próprio telemóvel, a partir da ordem de serviço, evita a guia em papel preenchida à pressa no tablier.

As objeções que ouvimos sempre

"O meu ERP já comunica as guias à AT automaticamente." Ótimo, é exatamente isso que queremos. O agente não substitui essa comunicação; usa-a. O problema nunca foi o ERP comunicar, foi haver alguém com o ERP aberto às 6h40.

"Dou ao motorista acesso ao ERP e pronto." Podes, mas pagas mais uma licença, formas uma pessoa que usa o sistema dois minutos por dia e dás-lhe um acesso muito mais largo do que precisa. O agente dá-lhe exatamente uma ação, e fica tudo registado.

"E se o agente fizer asneira?" É por isso que lê primeiro, mostra antes de escrever, pede confirmação e regista tudo. Um agente que escreve no ERP sem pré-visualização nem auditoria é mesmo uma má ideia, e não é isso que estamos a propor.

Por onde começar

Faz a conta a uma semana normal de expedição: quantas guias foram emitidas fora do horário de quem tem o ERP aberto, quantas cargas esperaram, quantas saíram "para resolver depois". Se a resposta for zero, o bot de €25 serve-te. Se não for, o próximo passo é ver se o teu ERP (PHC, Moloni, InvoiceXpress ou outro) expõe a criação de guias pela API, e com que permissões.

É uma conversa de meia hora com quem vai escrever o código. Fala connosco antes de 23 de novembro: hello@leiritech.com ou +351 914 572 595.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

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