«O fornecedor diz que entregou a horas. Então porque é que nos faltou material?»
Para responder, abres a encomenda, procuras a confirmação, exportas receções para Excel e perguntas ao armazém quando chegou o resto. O trabalho não é descobrir uma data: é perceber qual delas está a ser usada para dizer «a horas».
Um ChatGPT privado para empresas só ajuda se distinguir essas datas. Antes das compras de novembro e do fecho do ano, essa distinção permite rever fornecedores sem confundir uma promessa cumprida com uma necessidade satisfeita.

Qual era a data de que precisavas?
A data pedida representa quando solicitaste a entrega. A data prometida representa o compromisso do fornecedor. A receção efetiva mostra quando recebeste o material. As três respondem a perguntas diferentes.
A documentação da Microsoft para o modelo de compras do Business Central distingue datas pedidas, prometidas, planeadas e esperadas. Não é uma distinção inventada para a IA. Também não prova que o teu PHC, ou outro ERP, tenha esses campos preenchidos: é preciso verificar a instalação concreta.
Há outra cautela: a data pedida só representa a necessidade operacional se compras a tiver registado corretamente. Uma data introduzida por defeito não ganha valor por aparecer numa resposta bem escrita.
Como pode o mesmo fornecedor ter 100% e 50%?
Considera este exemplo inteiramente fictício, com quatro linhas de compra do mesmo fornecedor, recebidas integralmente. Todas as datas são de novembro de 2026.
| Linha | Data pedida | Data prometida | Receção completa |
| — | — | — | — |
| A | 3/11 | 3/11 | 3/11 |
| B | 3/11 | 5/11 | 5/11 |
| C | 3/11 | 6/11 | 6/11 |
| D | 3/11 | 3/11 | 3/11 |
Pela promessa, cumpriu quatro em quatro: 100%. Pela data pedida, cumpriu duas em quatro: 50%. A linha B chegou dois dias de calendário depois do pedido; a C, três.
Nenhum indicador está necessariamente errado. Um mede fiabilidade do compromisso; o outro, capacidade de responder à necessidade registada. Juntos, mostram onde investigar: aceitaste um prazo incompatível com a produção? Encomendaste tarde? O fornecedor tinha capacidade insuficiente?
O assistente não deve escolher um culpado. Deve apresentar os dois resultados, a regra e as linhas que os sustentam. Nem aqueles cinco dias somados representam automaticamente cinco dias de produção perdida: isso exigiria cruzar necessidades, reservas e alternativas.
Uma entrega parcial conta como pontual?
Depende da regra que acordares antes do cálculo. Se pediste 100 unidades para dia 3, recebeste 60 nesse dia e 40 no dia 5, houve uma primeira receção pontual, mas a linha só ficou completa no dia 5.
Para medir entrega completa, a consulta deve acumular as quantidades recebidas por linha até atingir a quantidade exigível, considerando cancelamentos e alterações documentadas. A data física de receção tem de ser validada; a data da fatura ou do lançamento não a substitui automaticamente.
Também precisas de fixar o universo. Medir apenas linhas já recebidas pode esconder as atrasadas ainda abertas. Para uma avaliação mensal, podes selecionar linhas com data pedida nesse mês e mostrar separadamente as vencidas por receber. Sem promessa registada, o cumprimento da promessa fica «não avaliável», não «cumprido».
Guarda ainda a promessa original e as revisões. Substituí-la pela última data combinada pode melhorar o indicador sem melhorar uma única entrega. Se o ERP não conserva esse histórico, o assistente deve assumir a limitação, não reconstruir compromissos por palpite.

Porque não basta colar a exportação num chat público?
Ao colares encomendas num serviço público, envias dados a um terceiro. O local de processamento, a retenção e eventuais transferências dependem do serviço e do contrato; não podes presumir residência na UE. Um chat isolado também não conhece as tuas regras de receção parcial nem garante auditoria empresarial adequada.
Mesmo com uma folha correta, o modelo pode confundir colunas, inventar uma justificação ou responder num português pouco ajustado à equipa. Português europeu é um requisito de utilização; não é uma garantia de exatidão.
A pesquisa «AMALIA IA português» pode levar-te a um modelo nacional. Mas a arquitetura que propomos é agnóstica ao modelo: pode usar um modelo nacional ou outro alojado na UE, conforme a avaliação. Não estamos a afirmar uma implementação Leiritech sobre o AMALIA.
Como chega a resposta aos dados do ERP?
Um conector com permissões só de leitura consulta o ERP existente. A camada intermédia interpreta a pergunta, pede esclarecimentos quando faltam período ou critério e executa consultas controladas. Os cálculos ficam fora do modelo de linguagem; este explica resultados e fontes.
A resposta deve identificar encomendas, linhas, receções, critério aplicado e momento da consulta. O registo de auditoria associa utilizador, pergunta, consulta executada e resposta. O acesso por perfil, ou RBAC, impede que uma pergunta de armazém abra informação comercial reservada.
Não precisas de arrancar o ERP nem migrar toda a empresa. Precisas de validar a interface disponível e a correspondência entre campos. Documentação recuperada pode explicar uma regra de compras; não substitui o cálculo sobre movimentos estruturados.
O que poderias perguntar no WhatsApp?
Estas três trocas são uma demonstração fictícia, não resultados de um cliente. O piloto teria de produzir respostas equivalentes com as tuas fontes.
Tu: «O fornecedor F cumpriu as quatro linhas do exemplo?»
Assistente: «Pela promessa, 4/4: 100%. Pela data pedida, 2/4: 50%. B e C chegaram depois do pedido. Fonte: linhas A–D e respetivas receções completas.»
Tu: «As 100 unidades da outra encomenda chegaram a tempo?»
Assistente: «60 chegaram no dia 3 e 40 no dia 5. Para o critério de entrega completa, não. Fonte: linha de compra e duas receções associadas.»
Tu: «Posso avançar com uma ordem que precisa de 60 unidades?»
Assistente: «Neste cenário, há 90 em stock e 50 reservadas: restam 40, faltam 20. Fonte: stock e reservas do armazém consultado. Isto não confirma disponibilidade dos restantes componentes nem autoriza a produção.»

Privado significa que tudo fica na UE?
Só se a arquitetura e os contratos o sustentarem. A proposta deve especificar processamento, armazenamento, cópias de segurança, registos, retenção e acessos de suporte. RGPD por desenho implica minimizar dados e definir finalidade, fundamento jurídico e responsabilidades; alojamento europeu não certifica conformidade.
Para perguntar ao ERP no WhatsApp, é necessária uma avaliação adicional do canal. Não estendas automaticamente a garantia de residência do ERP a mensagens e metadados. Se exigires um circuito integralmente limitado à UE e isso não estiver demonstrado, começa pela consola privada.
Se já tens um relatório, para quê o assistente?
Um relatório fiável pode ser suficiente. O assistente acrescenta valor quando permite explorar exceções sem novas exportações, mantendo os mesmos critérios. Não escreve no ERP, não muda encomendas nem decide fornecedores por ti.
A reportagem do The Next Big Idea de 14 de setembro descreve a Caravela e a seleção de modelos. Não apresenta uma implantação PHC com preço e critérios de aceitação. Isso não prova que não exista; mostra o que deves exigir numa proposta: integração demonstrada e preço fechado para um âmbito definido, não apenas acesso a um modelo.
Como testas isto sem começar por um projeto enorme?
Escolhe compras, um fornecedor e 10 a 20 perguntas frequentes. Valida datas, parciais e linhas abertas com o armazém. Mede o tempo atual de obter e conferir cada resposta; repete no piloto, incluindo correções. Só depois calculas horas poupadas.
Na Leiritech, em Leiria, falas diretamente com quem escreve o código. O primeiro resultado útil não é um chat mais fluente: é conseguires explicar porque é que «100% pontual» pode ter deixado material em falta.
Queres perguntar ao teu ERP em português, sem os dados saírem da UE? Fala connosco: hello@leiritech.com · +351 914 572 595, ou vê o nosso trabalho em leiritech.pt.
