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Integração

Componentes no subcontratado: quanto ainda é teu?

Mandaste material ao subcontratado, já recebeste parte do trabalho e agora ele pede mais componentes. Antes de enviares outra caixa, precisas de uma resposta simples: quanto material teu ainda está lá, em que estado e para que trabalho?

A guia prova o envio. A receção prova que entrou produto acabado. A mensagem do fornecedor diz que precisa de mais. Nenhum destes elementos, isoladamente, explica o destino de todos os componentes.

É aqui que se distingue um chatbot que responde bem de uma integração que trabalha sobre o teu ERP. O resultado útil não é «o fornecedor tem material disponível». É um saldo rastreável, com os movimentos que o sustentam, as diferenças por esclarecer e uma proposta de reposição que possas avaliar. Sem transformar uma estimativa numa certeza, nem uma conversa numa autorização de compra.

Envio, consumo e receção não são a mesma coisa

Quando envias componentes para uma montagem externa, há três acontecimentos diferentes. O material sai das tuas instalações. Mais tarde, é incorporado em produto. Finalmente, recebes esse produto. Podem ocorrer em dias diferentes e em quantidades diferentes.

Se o sistema tratar a saída para o subcontratado como consumo imediato, perdes a visibilidade do material que continua por utilizar. Se esperar pelo produto acabado sem representar os componentes em poder do fornecedor, ficas com uma zona sem controlo entre os dois armazéns.

Também não chega saber a localização. «Está no fornecedor» não responde a «continua a ser meu?». Neste artigo, consideramos um acordo em que forneces componentes teus para transformação, sem os vender ao subcontratado. A propriedade deve resultar do acordo e do modelo de dados, não de uma dedução do assistente a partir de uma morada.

Operador de armazém consulta um tablet junto de caixas abertas com componentes metálicos preparados para expedição

A documentação do Odoo 18 descreve um processo específico para isto: uma lista de materiais de subcontratação, componentes configurados para reabastecer o subcontratado e uma encomenda do produto acabado que origina a transferência dos componentes e a receção prevista. Os movimentos permitem representar a passagem pela localização de subcontratação e o consumo numa localização virtual de produção.

Isto não prova que qualquer instalação de Odoo já esteja corretamente configurada. Prova algo mais útil para a decisão: a subcontratação tem relações e movimentos próprios. Não se resolve acrescentando uma caixa de conversa a uma lista de existências.

Uma conta que fecha no ERP pode não fechar na fábrica

Considera um exemplo ilustrativo, não um caso de cliente. A tua empresa envia 1 000 casquilhos de um mesmo lote para um subcontratado montar suportes. Cada suporte utiliza um casquilho. Não há saldo inicial nem outros movimentos no período.

À data da consulta, os registos validados mostram:

| Movimento | Quantidade de casquilhos |
| — | —: |
| Recebidos pelo subcontratado | 1 000 |
| Consumidos nos 700 suportes já recebidos | 700 |
| Devolvidos sem utilização à tua empresa | 20 |
| Abatidos por quebra, com registo aprovado | 10 |
| Saldo registado no subcontratado | 270 |

A conta é 1 000 − 700 − 20 − 10 = 270. Neste exemplo, os 700 consumos estão registados e associados aos suportes recebidos. Se tivesses apenas a quantidade de suportes e a lista de materiais, obterias um consumo teórico, não uma confirmação independente do consumo real.

Há outra armadilha: se o ERP já gerou o consumo ao validar a receção, o conector não pode voltar a descontá-lo por ter encontrado os mesmos 700 suportes. A receção e o consumo associado são duas perspetivas da mesma operação, não duas saídas adicionais de componentes.

Agora chega uma contagem do subcontratado, referente ao mesmo momento: existem 200 casquilhos soltos e outros 50 já incorporados em suportes em curso, cujo consumo ainda não foi lançado. São 250 identificados fisicamente, não 270. Faltam justificar 20.

A resposta correta preserva estas diferenças: 270 no saldo registado; 250 identificados na contagem, dos quais 50 em trabalho em curso; diferença de 20 por esclarecer. Não declara que desapareceram 20 peças. Pode haver uma devolução por lançar, um erro de contagem ou uma quebra não registada. O sistema ainda não sabe.

E não chama «disponíveis» aos 250. Os 50 já incorporados estão comprometidos com o trabalho em curso. Para uma nova ordem, a contagem identifica apenas 200 componentes soltos, ainda sujeitos à confirmação de qualidade e de outras reservas.

A lista de materiais é uma referência, não uma testemunha

A lista de materiais indica o consumo previsto para produzir uma unidade. Não observa o que aconteceu na bancada. Retrabalho, substituições autorizadas e perdas podem afastar o consumo real dessa previsão.

Técnico consulta registos de produção num portátil, junto de tabuleiros com componentes soltos, suportes e peças separadas para avaliação

No processo documentado do Odoo 18, a validação da receção desencadeia movimentos que representam o consumo e a produção. Por isso, a integração tem de saber quando o teu ERP reconhece cada acontecimento. Não deve apresentar esse registo como uma medição contínua da bancada do subcontratado.

Se o fornecedor começou a montar ontem e só entrega na próxima semana, os componentes podem continuar no saldo informático apesar de já estarem incorporados. A consulta deve explicar essa limitação ou cruzar uma declaração de produção em curso, quando exista uma fonte autorizada para a consultar.

A unidade também importa. Dez caixas não são dez casquilhos. E duas referências semelhantes não são intercambiáveis sem uma regra técnica que o permita. O cálculo deve conservar artigo, unidade, lote quando aplicável, subcontratado e relação com o trabalho. Somar tudo primeiro e pedir ao modelo que interprete depois é perder precisamente a rastreabilidade que procuravas.

O que o agente deve executar em modo só de leitura

A primeira ação útil não precisa de alterar stock: é executar uma reconciliação verificável. O assistente identifica o subcontratado e o período, consulta movimentos autorizados e apresenta as relações entre componentes enviados, consumos, devoluções, quebras e produtos recebidos.

O cálculo deve correr em lógica determinística, com regras testadas. O modelo de linguagem ajuda a interpretar a pergunta e a explicar o resultado. Não deve inventar movimentos em falta nem decidir, por plausibilidade, que uma diferença é desperdício.

Uma resposta sustentada pelos dados inclui a data de referência, os documentos consultados e o estado de cada evidência. Um envio planeado não é material recebido pelo fornecedor. Uma quebra comunicada por mensagem não é um abate aprovado. Se os dados estiverem desatualizados ou uma fonte não responder, essa limitação aparece na resposta.

A auditoria regista quem perguntou, o âmbito da consulta, os registos usados e o resultado apresentado. As permissões limitam o acesso à empresa, aos armazéns e aos fornecedores que essa pessoa pode consultar. «Só de leitura» impede alterações por esse acesso; não dispensa controlo sobre quem vê os dados.

Este é o sentido prático de IA sustentada nos teus dados: conseguir passar da frase ao documento de origem. Um PDF com procedimentos pode explicar como funciona a subcontratação. Não demonstra quantos casquilhos tens hoje naquele fornecedor.

Do saldo à proposta de reposição, sem saltar a aprovação

Voltemos ao exemplo. Queres encomendar mais 400 suportes, com um casquilho por unidade. Se a contagem dos 200 casquilhos soltos for validada, estiverem utilizáveis e não houver outras reservas, a necessidade líquida para esse novo trabalho será de 200.

É uma proposta condicionada, não uma ordem de envio. A diferença de 20 continua aberta. Os 50 componentes incorporados pertencem ao trabalho anterior. E o cálculo simplificado não inclui stock de segurança, embalagens mínimas nem prazos de transporte; esses parâmetros teriam de entrar numa proposta operacional.

Operador confere uma receção no ERP junto de uma caixa aberta com suportes metálicos acabados

O agente pode apresentar a proposta e a respetiva memória de cálculo sem escrever no ERP. Se o âmbito do projeto incluir criar uma transferência ou uma encomenda, isso exige outro fluxo: permissões específicas, aprovação humana, validações do ERP e confirmação do documento criado. Uma resposta «feito» não substitui essa confirmação.

Na Leiritech, o ponto de partida é acesso conversacional só de leitura, auditado e sustentado nos dados do cliente. Este cenário descreve uma integração a especificar e testar no teu processo; não anuncia um conector de subcontratação pronto nem uma reposição autónoma já entregue.

«Mas o meu ERP já tem esse mapa»

Ótimo. Se o mapa responde à pergunta, mostra os documentos e é usado pela equipa, não precisas de IA para repetir a mesma tabela. Corrigir a configuração ou melhorar um relatório pode ser a melhor intervenção.

O acesso conversacional ganha utilidade quando a pergunta atravessa vários registos: quanto está naquele fornecedor, quanto está comprometido com trabalho em curso e que reposição faz sentido depois de esclarecer as diferenças. O valor está na consulta e reconciliação executadas, não no tom simpático da resposta.

A comparação de preços deve respeitar esse âmbito. No artigo comercial de 21 de junho de 2026, a 3HASH anunciava 100 € de implementação e 25 €/mês, com IVA, para website e WhatsApp. A página descrevia conhecimento preparado a partir de informação do negócio; não documentava uma integração ERP incluída. Isso não demonstra que o fornecedor seja incapaz de a desenvolver.

Da mesma forma, pagar mais não prova integração profunda. A demonstração relevante é conseguir refazer a conta, abrir os documentos e explicar por que razão um componente foi contado como consumido, disponível ou pendente. Ter uma API é o início desse trabalho, não a conclusão.

Antes de mais uma caixa, reconcilia uma ordem

A 19 de outubro de 2026 faltam 73 dias para o fim do ano. É uma janela prática para esclarecer material em poder de terceiros antes de acumular mais movimentos, não um prazo fiscal nem uma obrigação de inventário que este artigo esteja a estabelecer.

Um piloto pode limitar-se a um subcontratado, uma ordem e um lote. O critério de sucesso é concreto: reproduzir o saldo a partir dos documentos, separar consumo registado de consumo estimado, mostrar diferenças e preparar uma proposta sem alterar os dados. Se faltar evidência, o resultado deve dizer o que falta.

Envia para hello@leiritech.com uma descrição desse fluxo, sem dados sensíveis, e indica o ERP que usas. O próximo passo é definir que registos permitem responder a «quanto ainda é meu e está lá?» — antes de pôr um agente a responder por ti.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

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