Todos os artigos
automacao

Referência MB das faturas em aberto, gerada pelo ERP

Referência MB das faturas em aberto: o pedido mais simples que nenhum bot de €25 consegue fazer

"Boa tarde, quanto é que vos devo? Mandem-me a referência que eu pago hoje."

Se tens um negócio B2B em Portugal, já recebeste esta mensagem dezenas de vezes. Normalmente chega numa sexta ao fim do dia, de um cliente que quer arrumar as contas antes do fim de semana. Do outro lado está alguém da contabilidade que abre a conta-corrente no ERP e soma as faturas vencidas. Desconta a nota de crédito que ninguém se lembrava que existia e pergunta "só as vencidas ou tudo?". Depois emite uma referência, copia três números para o WhatsApp e, uns dias mais tarde, tenta perceber a que faturas corresponde o pagamento que entrou.

São dez minutos de trabalho por pedido. E é exatamente o tipo de pedido em que um cliente com dinheiro na mão desiste se a resposta demorar até segunda-feira.

Neste artigo explico porque é que este pedido separa um bot de conversa de um agente ligado ao ERP, como funciona quando está bem feito e onde estão os riscos.

Técnica de contabilidade ao telefone, com a conta-corrente do cliente aberta no ERP e faturas impressas em cima da secretária

Porque é que o bot de €25 responde "vamos verificar"

Os chatbots de WhatsApp mais baratos do mercado português custam à volta de €25 por mês: um chatbot de site a €15 e o add-on de WhatsApp a mais €10. As páginas destes produtos não falam em integração com ERP, nem em ações, nem em limites. Isto não é defeito, é o produto. O bot sabe o que lhe escreveste nas FAQ: horário, morada, "pagamentos por transferência ou Multibanco".

Para responder "quanto devo?", o sistema precisa de três coisas que a FAQ nunca vai ter:

  1. Saber quem está a perguntar. O número de telemóvel tem de corresponder a um contacto autorizado de um cliente no ERP. Não basta ser um número qualquer que diz "sou da Construções Silva".
  2. Ler a conta-corrente verdadeira. Faturas em aberto, notas de crédito, pagamentos parciais, adiantamentos e vencimentos. Tudo está no ERP e em mais lado nenhum.
  3. Executar uma ação com consequências. Gerar uma referência de pagamento com o valor certo e deixar registo de quem a pediu, quando e para que documentos.

Mesmo nos escalões caros, a integração costuma parar antes disto. Há ofertas em Portugal com setup de €12.000 e €500–800 por mês que integram com o CRM e com marcações, não com o ERP. O CRM sabe que o cliente existe. Quanto ele te deve, só o ERP sabe.

O resultado já o conheces: "Vamos verificar e já lhe dizemos." Desde 1 de outubro, cada mensagem de serviço no WhatsApp é paga, por mensagem e sem escalões de volume. Um "vamos verificar" deixou de custar só paciência.

Um exemplo concreto, do princípio ao fim

Pensa num distribuidor de materiais de construção da zona de Leiria. O cliente é uma pequena construtora e tem isto em aberto no ERP:

| Documento | Vencimento | Valor |
|—|—|—|
| FT 2026/1412 | 15 set | €1.230,00 |
| FT 2026/1488 | 30 set | €486,20 |
| NC 2026/0077 | — | −€92,50 |
| FT 2026/1530 | 31 out | €2.104,75 |

O dono da construtora escreve no WhatsApp: "Quanto devo? Quero pagar hoje."

Um agente ligado ao ERP faz isto, por esta ordem:

  1. Verifica o remetente. O número está associado a um contacto da construtora com permissão para assuntos financeiros. Se não estiver, o agente não mostra valores. Encaminha para um humano e regista a tentativa.
  2. Lê a conta-corrente, só em leitura. Vai buscar ao ERP os documentos acima. Não deduz nada da conversa nem "lembra-se" de valores antigos. O valor sai do ERP, não do modelo.
  3. Responde com a separação que interessa ao cliente. "Tens €1.623,70 vencidos (duas faturas, já descontada a nota de crédito de €92,50) e €2.104,75 que vencem a 31 de outubro. Total: €3.728,45. Queres pagar só o vencido ou tudo?"
  4. Gera a referência quando o cliente escolhe. O cliente responde "só o vencido". O agente pede ao teu fornecedor de pagamentos uma referência Multibanco de €1.623,70, com uma validade curta, por exemplo 3 dias. Devolve a entidade, a referência e o valor.
  5. Regista tudo. Quem pediu, de que número, a que horas, que documentos ficaram ligados a esta referência, o valor e a validade.
  6. Concilia quando o dinheiro entra. O fornecedor de pagamentos avisa que a referência foi paga. O recebimento fica associado às faturas 1412 e 1488 e à nota de crédito 0077, sem ninguém andar a adivinhar que transferência é de quem.

Dono de uma construtora, numa obra, a ler no telemóvel a mensagem com o resumo das faturas e a referência de pagamento

Repara no que não aconteceu: ninguém da contabilidade foi interrompido, e o valor não veio de uma frase do cliente nem de um palpite do modelo. A IA serviu para entender "quero pagar o que está atrasado". Os números saíram do ERP.

"Mas o meu ERP já imprime a referência na fatura"

É a objeção mais comum, e é justa. Muitos ERP já põem uma referência MB em cada fatura. Funciona bem para um cliente com uma fatura por mês. No B2B o cenário é outro:

  • O cliente tem várias faturas e quer fazer um pagamento só. Quatro referências em quatro PDFs que estão perdidos no email dele são precisamente o atrito que adia o pagamento.
  • As notas de crédito e os pagamentos parciais estragam as referências. A referência da FT 1412 tem o valor original. Se houve uma nota de crédito ou um pagamento parcial, ela já não bate certo. O cliente paga a mais ou a menos, e alguém tem de corrigir à mão.
  • A pergunta real é "quanto devo?", não "qual é a referência da fatura X?". O cliente não sabe os números das faturas. Sabe que tem contas por acertar.

A referência por fatura resolve a emissão. A referência das faturas em aberto resolve a cobrança.

"Um agente a gerar pagamentos não é perigoso?"

É, se for mal desenhado. Por isso o desenho é este:

  • O ERP é lido, nunca alterado pelo agente. O agente não emite faturas, não anula documentos e não mexe em saldos. A única ação que executa é pedir uma referência ao fornecedor de pagamentos. A conciliação segue o fluxo normal de recebimentos que já tens.
  • O valor nunca vem do cliente. Se o cliente escrever "manda-me uma referência de €500", o agente responde com o que está no ERP. Pode aceitar um valor parcial se a tua política o permitir, mas o limite é uma regra definida por ti, não uma decisão do modelo.
  • A identidade é verificada pelo ERP, a partir dos contactos autorizados. Um número desconhecido não vê saldos.
  • Tudo fica registado. Cada pergunta, cada leitura e cada referência gerada fica num registo de auditoria que a tua equipa consegue consultar.

É esta a diferença entre IA "grounded" e um chatbot que adivinha. Um modelo de linguagem sozinho é excelente a escrever frases plausíveis, e "deve €1.540" é uma frase muito plausível. Num agente ligado ao ERP, o modelo interpreta o pedido e redige a resposta, mas os números vêm sempre de uma consulta ao sistema, e essa consulta fica registada. Se o ERP não responder, o agente diz que não sabe. Não inventa.

Responsável administrativa de um lar de idosos a rever no portátil o registo de auditoria dos pedidos de pagamento

Não é só para quem vende cimento

O mesmo padrão aparece em qualquer negócio com conta-corrente e clientes que pagam por Multibanco:

  • Lares e saúde. A família paga a mensalidade, mais os extras de farmácia e as consultas. "Quanto falta pagar este mês da minha mãe?" é uma pergunta financeira sobre um utente, por isso a verificação de quem pergunta é obrigatória e tem de ficar registada. Com dados de saúde por perto, isto é arquitetura, não um extra.
  • Laboratórios de calibração. Os clientes acumulam faturas de vários lotes de equipamentos. Pagar tudo de uma vez antes de levantar os certificados é um pedido comum.
  • Armazém e distribuição. Clientes com dezenas de guias e faturas por mês, e às vezes vasilhame ou paletes a acertar. A soma certa já é, por si só, um serviço.
  • Faturação eletrónica. A referência está ligada a documentos certificados com número de série. A conciliação bate com o que está na AT, não com uma folha de Excel paralela.

Porque é agora

O último trimestre é quando as empresas cobram. Os clientes querem fechar o ano com as contas acertadas e tu queres o dinheiro dentro antes de 31 de dezembro. Os feriados de 1 de novembro e de 1 e 8 de dezembro tiram dias úteis à contabilidade precisamente quando há mais pedidos. Cada "mandem-me a referência" que fica sem resposta até segunda-feira é um pagamento que escorrega para janeiro.

Próximo passo

Não precisas de trocar de ERP. Se usas PHC, Primavera v9 ou um sistema feito à medida, a camada do agente liga-se por cima, só em leitura, à conta-corrente que já existe, e ao fornecedor de referências Multibanco que já usas ou a outro à tua escolha.

Para começar, manda-nos três coisas: que ERP usas, quem te emite hoje as referências e quantos pedidos de "quanto devo?" recebes por semana. Respondemos com o que é possível ligar e o que não é, sem demo de conversa bonita. Escreve para hello@leiritech.com ou liga para o +351 914 572 595. Quem te responde é quem escreve o código, aqui em Leiria.

Escrito por

Equipa Leiritech

A equipa Leiritech — a construir software com inteligência artificial a partir de Leiria, Portugal.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.