O que o teu assistente de IA fez este mês, em números
"Pagámos o assistente o ano inteiro. Alguém o usou? Para quê? E acertou?"
Isto é o que se ouve em outubro, quando chega a altura de fechar o orçamento de 2027 e alguém tem de decidir se a licença de IA continua no próximo ano. Na maioria das PME, a resposta honesta é "não sei". Chega a fatura do ChatGPT, há uma ideia vaga de que o comercial o usa para escrever emails e que a contabilidade lá colou umas folhas de Excel, e mais nada. Não sabes quem perguntou o quê, não sabes que dados da empresa saíram nem para onde, e não fazes ideia de quantas respostas estavam simplesmente erradas.
Um ChatGPT privado para empresas, ligado ao teu ERP, tem de te dar a resposta em papel. Todos os meses, uma página: quantas perguntas houve, quais ficaram sem resposta, de onde veio cada número e quanto custou. Neste artigo explicamos porque é que esse relatório é a parte mais útil do sistema, e não um anexo.

Porque é que o ChatGPT público não te dá este relatório?
Não te dá porque não foi feito para ti. A versão gratuita e a versão Go servem uma pessoa a conversar com um modelo, não uma empresa a responder perante os seus clientes e a CNPD. Desde 24 de agosto de 2026 que estas versões mostram anúncios em Portugal e em mais 30 países europeus. A OpenAI garante que os anunciantes não veem as conversas, e acreditamos nisso. Mesmo assim, um produto pago com publicidade não é o sítio para guardar a conta-corrente dos teus clientes, e as regras de um produto destes podem mudar sem te perguntarem.
Há ainda um problema mais simples. No ChatGPT público, as respostas aparecem no ecrã de cada pessoa e acabam aí. Não há nenhum registo da empresa que diga "a Ana perguntou pelo saldo do cliente X e a resposta foi 14 200 €". Se esse número estava inventado, nunca vais saber. Um modelo de linguagem sozinho, seja qual for, inventa quando não tem os dados. Os próprios autores dos modelos abertos o escrevem nas fichas técnicas: o modelo não deve ser a única fonte de verdade.
O que deve estar no relatório mensal?
Um assistente que só lê o ERP e regista cada pergunta já tem a informação toda. O relatório só a arruma. Na prática, tem cinco blocos:
- Utilização por perfil. Quantas perguntas houve, de que departamentos, por que canal (consola, dashboard ou WhatsApp). Tudo agregado, sem ranking de pessoas.
- As perguntas mais frequentes. As 15 ou 20 que se repetem. Normalmente são as tarefas que alguém fazia à mão no Excel.
- Sem resposta. As perguntas a que o assistente disse "não tenho esse dado". É o bloco mais valioso, e já explicamos porquê.
- Fontes. De que partes do ERP vieram as respostas: faturação, stock, conta-corrente, encomendas a fornecedor. Cada resposta guarda a consulta que a produziu, por isso qualquer número pode ser verificado.
- Custo e incidentes. O custo total e o custo por pergunta, os acessos recusados por falta de permissão e qualquer anomalia.
Não há aqui nenhuma métrica de "satisfação" nem de "envolvimento". São factos que se podem verificar no registo de auditoria.
Como é um relatório real?
Vamos a um exemplo. Os números abaixo são ilustrativos, para mostrar a forma, e não resultados de um cliente: uma distribuidora de 25 pessoas, com PHC, no primeiro mês completo do assistente.
- 1 240 perguntas de 19 utilizadores: comercial 52%, armazém 27%, financeiro 21%. O WhatsApp teve 68% das perguntas, quase todas feitas no armazém e na estrada.
- Top 3: "o que está por receber do cliente X", "stock da referência Y no armazém 2" e "encomendas por entregar esta semana". Juntas dão 41% do volume.
- Sem resposta: 74 perguntas (6%). 38 eram sobre margem por família de produto, porque o custo médio não estava ligado ao conector. 21 eram sobre prazos reais de entrega de fornecedores, um dado que não está no ERP e vive num caderno do responsável de compras. 15 estavam fora do âmbito, como dúvidas fiscais e legislação recente.
- Fontes: faturação e vendas 58%, stock 24%, conta-corrente 14%, outras 4%.
- Custo: o total do mês a dividir pelas 1 240 perguntas. Esta conta é o que te deixa comparar com a hora de quem fazia o mesmo à mão.
- Incidentes: 9 acessos recusados, todos do armazém a tentar ver margens. O perfil estava a fazer o que devia.
Uma reunião de 20 minutos com isto à frente dá três decisões concretas: ligar o custo médio ao conector, passar os prazos de fornecedor do caderno para o ERP e dizer à equipa que as dúvidas fiscais continuam a ir para o contabilista. Nenhuma destas decisões tem a ver com "que modelo de IA é melhor". Têm todas a ver com os teus dados.

Como aparece uma pergunta sem resposta no WhatsApp?
Aparece assim. Mais uma vez, os números são de exemplo:
Pergunta: Quanto temos da ref. 4410-B no armazém 2?
Assistente: 312 unidades em 26/09, às 09h40. Fonte: stock por armazém. Há 2 encomendas de cliente abertas que reservam 180.
Pergunta: Quanto deve a Metalúrgica Silva e há quanto tempo?
Assistente: 14 200 € em 3 faturas. A mais antiga venceu há 47 dias. Fonte: conta-corrente de clientes.
Pergunta: Qual é a margem da família ferragens este trimestre?
Assistente: Não tenho acesso ao custo médio, por isso não te consigo dar a margem. Fica registado.
A terceira resposta é a que interessa. Um modelo sem acesso aos dados teria dado uma percentagem plausível. Este diz que não sabe, e essa falha vai parar ao relatório do mês. É assim que um assistente fundamentado nos teus dados melhora: em vez de parecer cada vez mais esperto, deixa cada vez menos perguntas por responder, porque cada falha te mostra um dado em falta ou um perfil mal definido.
Isto não é vigiar a equipa?
É a objeção certa, e merece uma resposta séria. O registo de auditoria guarda quem perguntou, o quê e quando. Isso também é um dado pessoal dos teus trabalhadores. Por isso, o RGPD por desenho tem de ser aplicado também aqui:
- Finalidade escrita: o registo existe para verificar respostas, controlar acessos e medir custos. Não serve para avaliar pessoas.
- Relatório agregado: por departamento e por canal. O detalhe por pessoa só é acessível a um perfil definido e só quando há um incidente.
- Prazo de conservação definido, e não "para sempre".
- Transparência: a equipa sabe, antes de começar, que as perguntas ficam registadas e porquê. Isto entra no teu registo de atividades de tratamento.
Há também a objeção contrária: "mais um relatório que ninguém vai ler". Por isso tem uma página, e o bloco "sem resposta" vem sempre em primeiro lugar. Se o relatório não gerar pelo menos uma decisão por mês, está mal feito, e és tu que nos dizes.

Como funciona por baixo, e o que não faz?
Sem jargão: há um conector só de leitura ao ERP que já tens, uma camada que transforma a pergunta numa consulta aos teus dados, uma resposta com o número e a fonte, e uma linha no registo de auditoria por cada pergunta. O relatório mensal é esse registo resumido. Não tens de arrancar nem migrar sistemas.
A arquitetura não está presa a nenhum modelo. Pode usar um modelo nacional pensado para o português europeu, como o AMALIA, ou outro modelo alojado na UE, conforme o caso. O que não muda é o essencial: dados e inferência na UE, acesso por perfil (RBAC) e um registo de cada resposta.
Os limites, ditos claramente:
- Não escreve no ERP. Não lança faturas, não altera stock, não aprova nada.
- Não decide por ti. Mostra o número e de onde veio. A decisão é tua.
- Precisa de dados minimamente arrumados. Se o ERP tem três fichas para o mesmo cliente, o assistente vai dar-te três respostas, e o relatório vai mostrar isso no primeiro mês.
- Precisa que se defina quem vê o quê antes de arrancar, e não depois do primeiro susto.
Por onde começar?
Começa por um piloto pequeno: um departamento e 10 a 20 perguntas frequentes que hoje obrigam a exportar para Excel ou a pedir a alguém. Antes de ligar o assistente, mede quanto tempo essas perguntas levam numa semana normal. Ao fim de 30 dias, o primeiro relatório mensal compara as duas coisas: horas poupadas, perguntas sem resposta e custo por pergunta. Com isso à frente, a decisão sobre o orçamento de 2027 deixa de ser uma questão de fé.
Somos uma equipa pequena em Leiria. Falas diretamente com quem escreve o conector e monta o relatório, sem gestores de conta pelo meio.
Queres perguntar ao teu ERP em português, sem os dados saírem da UE? Fala connosco: hello@leiritech.com · +351 914 572 595, ou vê o nosso trabalho em leiritech.pt.
